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terça-feira, abril 12, 2011

Tão igual quanto…

Igual a todo mundo. Era como era, como sentia. O mesmo pão com margarina, o mesmo café recém-feito – as mesmas havaianas último modelo, que todo mundo usa. Uma tendência para gostar de novela (mesmo que mantivesse o aparelho de TV desligado, como uma auto-privação necessária). E a mania de dizer que lia livros. Muitos livros. Todos os best-sellers da temporada.

Era peculiar em sua definição de si como cópia carbono das cópias carbono de toda a humanidade. Não via o que merecia além – de? – do que outros, o que a fazia de uma humildade irritante.

Então ele pergunta:

- O que a faz especial?

Ela responde:

- A capacidade de me pôr em meu lugar.

Ele resolve arriscar:

- Podemos nos ver hoje, depois das dezenove horas?

Ela saltita na cadeira, animada como nunca:

- Claro, Pegador36!

terça-feira, junho 01, 2010

Solidão

Ali, naquela meia-curva, a solidão está entediada. Começou vertendo na corrente das lágrimas - que a dor é apressada e chega antes - mas nem pausa, já estava. Fria, cortante. E logo um eco acompanhava seus passos, sempre ecos acompanham-na, e – malditos sois! - a solidão nunca está sozinha. Ironia vem nas embalagens do concorrente - a saudade que ocupa o vazio dos espaços - mas não há vazio para a solidão, só eco.

Não foi porque ele foi embora - ele, depois de muitos, todos que ela implorou que ficassem - nem por de repente perceber que a cortina precisava de lavagem e lembrar que não tinha o telefone da lavanderia que usavam; foi porque um pássaro entrou pela janela aberta cantando e percebeu que não podia determinar a ultima vez que ouvira uma musica. Pense que nessa hora - a realidade estuporando-lhe - a solidão já estava lá, passiva. Um tanto amarga. Precisando que esta era igual as outras vezes, para essa mesma mulher, nesta mesma casa, com o mesmo tipo de lamentação usual.

"Você não se envergonha", teria dito a solidão, se falasse. O que fora perdido na vida era o tempo, não os homens. Por esta necessidade de ser amada. Se o amor fizesse o ser humano, pensaria a solidão, ela não existiria. Entre novos soluços, atrasados em semanas, fraquejando entre as novas cortinas - como estava a moça - a solidão percebeu um átimo de mudança. E esperou entre os lençóis amarfanhados de poeira e tristeza o resultante.

Ela acelerou o carro e bateu na mureta de segurança. Os paramédicos chegaram rápido, questionando o que a faria bater ali, logo no inicio da curva. Com o carro destruído e a dignidade estraçalhada, ela, assim como a solidão, pensaram que ninguém viria em seu socorro que não órgãos de saúde. Ela, agastada, sequer chorou. A solidão, entediada, ecoou alto.

sexta-feira, julho 31, 2009

A ironia frágil

Eu queria morrer e pensava nisso. Tinha babatas fritando sobre o fogão, atarefada com as ideias que me assaltavam – tão súbitas, que me faziam esquecer as batatas – e quando voltava a mim, me acertava o cheiro de gordura queimada. Na ânsia de salvar poucas batatas que ainda não haviam dourado ao extremo, eu puxava a frigideira com a agilidade. O óleo quente pulava com certa graça, e acertava em cheio minha mão.

Então eu queria morrer, pensava, quero morrer. Perdia as ideias tão subitamente quanto as tive, e ganhava bolhas, como prêmio de consolação. A dor ardida acordava meus sentidos para a ação, eu fritava outras batatas, após limpar o fogão.

Voltava meus pensamentos para outros afazeres, e descobria sempre haver muitos.

As cores do mundo se colapsavam diante dos meus olhos, meu corpo junto com elas. Eu perdia os sentidos depois de tentar mover, por horas, o sofá de seu lugar. Sem amparo, obrigava meu olhos a se focarem e meu corpo a se mexer. Então, outra vez, pensava que queria morrer. Pois almas não trocam sofás de lugar. Elas nem têm lugar.
Assim, quando me vi ociosa uma tarde, busquei as ideias que perdi. Comecei rememorando sons, cheiros. Nomes. Haviam tantos nomes. Nomes que eu associava a uma vontade de viver que quase não acreditava ter sido minha.

Eu queria morrer e pensava que isso me salvaria de tudo. Inclusive de sofrer por ter lembranças.

Teve esse dia, quando tão súbito quanto ideias me vinham, tão forte como quando os sentidos falhavam, minha temperatura subiu para 39ºC e tossia como se tivesse expulsando minhas tripas. Desamparada, como sempre, alienada e enfraquecida, sentei no sofá da sala, que estava no mesmo lugar de sempre e fiquei. Não esperei a morte, nem sabia que ela vinha. Eu queria morrer, não me tornar estatística.

terça-feira, julho 28, 2009

Tic Tic Tic

Resposta ao conto Tic Tic Tic, de Fred Paiva, no blog http://azulbananafosca.blogspot.com - na verdade uma continuação dele. Sim, apropriação de ideia alheia...

Mario Sérgio tinha dois problemas rotineiros em sua vida (e não contabilizava numerar sua vida como um deles): o som de pigarro do motorista da van com a qual vinha ao trabalho, e o constante tic tic tic arranhado, feito com a bunda da caneta sobre a superfície do bloco de notas de sua colega de trabalho.

O pigarro ele fazia ignorar com fones de ouvido e música alta – não percebendo que gemidos ritmados escapavam de sua boca durante o percurso, e quanto isso incomodava outros passageiros – e tudo ficava bem. Mas aquele método não poderia ser empregado durante o trabalho. Enquanto ela atendia o telefone. Durante as oito horas de tortura em que ela compunha um concerto disparatado e arrítmico, com a bunda daquela bic infernal. Já pensara em processar o fabricante, mas era óbvio que em nada daria. Já pensara em arremessar o peso de papel na cabeça da infame, observar o sangue jorrando, e alcançar a caneta para com a bunda dela friccionar ainda mais o ferimento, buscando um som que lembrasse o tic tic tic, enquanto gritaria numa imitação ainda mais fanha que era naturalmente a voz da mulher, casadasferramentasclaudeteBOATARDE! Bem em seu ouvido, até ela ficar surda, suja de sangue, e com sorte, morta.

A morbidade de seus pensamentos o assustava, às vezes.

Então ela o olha de soslaio, ajusta aqueles úberes avantajados no decote desarmônico, e sorri numa tentativa de graciosidade que não sai da tentativa.

Emprestaumacaneta, Mario Séérgio?

Por todos os demônios, a dela estourou!

Tic tic tic, ele ouve o som que ela faz aguardando a resposta; as mãos delas manchadas de azul, assim como o bloco de notas, parte do seu rosto, e, para total espanto de Mario Sérgio, um significante pedaço da manga da camisa branca dele.

A morbidade de seus pensamentos já não o espantou. Tic tic tic, era o som de sua paciência sumindo, enquanto sentia o peso de papel dentro do punho cerrado.

quarta-feira, março 11, 2009

Relato de um minuto humano

O sol estava de assar o couro. Meio-dia sempre é quente, não importa o fator do bloqueador solar. Seria mais seguro se eu tivesse ficado em casa, eu sabia. Aquelas buzinas agudas e irritantes, aqueles corpos sem coordenação que passavam sem me enxergar. Perfeito! Um deles arremessa minhas comprar longe, quase no semáforo! Beócio. Decrépito. Humano filho de uma puta.
Eles não são coisa alguma nesse universo, anoto mentalmente. Vivem a pulverizar o ar com seus comodismos, a terra inteira com suas necessidades básicas.
Ajunto minhas compras da semana, enlatados e produtos para descongelar no microondas, dentro de sacos plásticos que usarei para tirar o lixo de minha casa, que afinal é um lugar limpo e cuidado, imaginando um mundo sem esses humanos e sorrindo internamente. Não é à toa que o sol queima.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Pra não dizer que não falei dos confetes...

A caravana dos abstratos afeta a avenida. Seus rostos não conhecidos (não há face alguma), desfilam serpenteando, colorindo o insonso. Não pedem passagem, nem param: vão, entremeando a massa, sacudindo a bagaça, reproduzindo seu som.
O som são como enxames de insetos descontrolados, marcados pela irregularidade do sopro de seus fôlegos: ainda resta um, ainda resta um, ainda resta um. Samba enredo da esquizofrenia. Todos cantam sem saber a letra.
Logo, a caravana se vai, lançando a trilha de aguarás que descolore a avenida, deixando o confete cru.

domingo, agosto 24, 2008

23 de agosto

Olhei para o teto, sem cor definida, riscado de giz de cera, sarapintado de mofo: ele tem razão, pensei. “A dor é apenas outra forma” - como várias - e tão irrepreensível quanto.

Peguei papel e caneta, debrucei-me curvada sobre a mesa da cozinha, disposta a por no papel qualquer conjunto de palavras alegres, que retratassem talvez minhas zonas de conforto, talvez a nostalgia da infância. Nada que pudesse querer para o futuro.

Minhas certezas e dores presentes abriam aquele buraco largo e sem fundo, que impedia meus pensamentos de buscarem além.

“Bati quatro vezes a caneta sobre o tampo da mesa antiga. Ergui-me e fui ao meu quarto, de volta ao teto sem cor definida.”

Vinte e seis anos depois e é assim que me explico a vida.
E tudo não passa de teoria.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Nota

Ligue a TV e veja Alberto. Alberto Dionísio Martins. 37 anos. Cabeça feita pela UNICAMP. Administrador de seus bens – e conseqüentemente de seu destino.


Sim, ele está bem na foto. Apresentável eu diria. O rouge-sangue em sua face deformada combina horrores com o tênis Adidas, comprado na liquidação de inverno do ano passado. Mas a repórter não lhe dirá a marca, para que não o incite a também comprá-la, entende. Importante apenas o Alberto. E seu glóbulo ocular desprendido.


Alberto dizia que cair é inevitável. Ligue sua TV, veja a prova.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Pro teu corpo ficar Odara

Nos olhos de Odara, eu vi o desejo criando formas instáveis de paixão. Paixão louca. Paixão dura. Paixão de dezenove centímetros e meio; naqueles olhos de mel, que quem comer enfarta.

Era para meu corpo que ela olhava. Abria minha camisa amassada com suas longas pestanas; cobria meus pêlos eriçados de seu mel ardoroso. Eu ardia.

Ardia de pavor. Queria sair gritando, rasgando a seda, que fazia vez de cortina para a sala contígua. Correr ameaçando a altos brados, “bando de bicha sem sentido nessa vida!”. Sair dali sem pretensão de voltar.

Mas vocês precisam entender que eram os olhos de Odara. A sílfide infame da ala leste daquele prédio em ruínas, onde todo o morador tinha sexualidade duvidosa, e dúzias de echarpes coloridas. Ela era o deserto. Mas oferecia oásis que eu não poderia negar.

Mesmo convicto de minhas opções, eu não podia arrefecer.

Estava cansado de viver as distinções conhecidas. Queria o prazer mais intenso, a dor mais incisiva, uma realidade que me oprimisse na manhã seguinte.
Pus um pé ante o outro, preparado. Começando pelo mel dos olhos, fui me servindo da boca. Logo meu corpo estava Odara.

quinta-feira, julho 10, 2008

Inconformes - Confissão II

Queria que o acaso explodisse tudo. Sim, o acaso. Aquele enigmático e traiçoeiro que (dizem) permear as grandes forças que movem o universo. Opinião minha: pura balela.
Mas se o acaso, por um acaso, existe, queria que ele explodisse tudo. E levasse com ele todas as metáforas criadas para lhe caber.

sexta-feira, julho 04, 2008

Inconformes - Confissão I

Preciso odiar o que é ameno. Esses seus olhos que tudo aceitam, nada condenam. A conformidade me faz mal ao fígado - acordo tarde, mijo fora da privada, mas quem limpa sou eu!
Sabe aquela coisa de aceitar o próximo? Eu detesto próximos! Detesto que fiquem perto, que afetem minhas narinas com seu cheiro comprado.
Pois eu preciso odiar o que é simplório. Use meu vaso se quiser me acompanhar.

quinta-feira, julho 03, 2008

E ele volta

Varandas de se esperar
Não me tirem, breve, a esperança
E façam de mim simples lembrança
De quem ficou à esperar
Com gotas de sangue quente, escorrendo da boca

O sangue que manchava suas tábuas, varanda

domingo, junho 22, 2008

Ernesto

Cansado de dizer as mesmas coisas, sobre todas as coisas que ele conhecia, de todas as pessoas que ele já sabia o nome, sobrenome, endereço e opção sexual, sobre as tarefas nefastas da vizinha do duzentos e quatro e todas as últimas novidades do velho mundo, Ernesto resolveu se calar.
Decidiu – mérito da vizinha já citada, suas altercações acerca de sua tremenda boca grande – nada dizer, se não questionado. Para quê, pôs-se a conjecturar numa tarde ociosa, gastar saliva, pensamentos, se o que se diz se perde no vazio das coisas, que são tantas, que desaparecem no piscar dos olhos? (Menos, é claro, a fama da vizinha).
Absteve-se de fazer sugestões, puxar conversa, cumprimentar alheios, engrenar uma discussão sobre assuntos diversos.
Primeira semana estranharam sua reclusão e suas monossilábicas respostas. Segunda semana estava em definitivo excluso das fofocas, por sua falta de empolgação. Na terceira semana passou a ser o alvo das conversas no cafezinho.
Disseram que estava sofrendo de depressão. Foi ao psicólogo, como solicitado pelo chefe, mas acha, até o hoje, que deve ter matado o doutor de tédio – três meses de tratamento para ser diagnosticado como sociopata, e nem uma frase significativa dita por ele.
Tomou todos os remédios prescritos, ainda que soubesse não estar enfermo, e passou a rir descontroladamente das pessoas na rua – sem motivo aparente algum.
Ria à noite. Chegava as gargalhadas. Conseguiu diversas vezes acordar meio prédio com os agudos esguichados de seu riso. A vizinha do duzentos e quatro chegou a acionar o manicômio.
Mesmo preso e abilolado, Ernesto manteve sua posição, e nada dizia que valesse.
Morreu só, em meio aos doidos, que, aprendeu a acreditar, eram os que melhor sabiam o que diziam.

quinta-feira, maio 29, 2008

Na noite em que o motor falhou

Andamos nus pela estrada deserta. A lanterna que tínhamos, estava sem pilha, mas não tivemos medo do escuro. Como crianças, rimos da nossa travessura. Respiramos a ar frio da noite. Paramos para ver o dia nascer, por detrás dos prédios lá longe, desenhando com dedos arroxeados o contorno da cidade.

Ficamos, enfim, sérios. Comprometidos com a integridade do mundo à nossa volta. Mas voltamos para casa sem camisa.

segunda-feira, maio 26, 2008

Amigo - Uma constatação verossímil

Amigos são aqueles caras insubstituíveis que costumam a falar exatamente o que a gente espera, mas que nunca estamos preparados para ouvir. São como uma voz da verdade ambulante. Como quando perguntamos se estamos sendo chatos, ou se aquela roupa horrível está nos vestindo bem, e eles respondem, sem pensar duas vezes: como uma solteirona! é claro que está linda, até parece a garota propaganda da ultragaz! Não tem nada mais apertado no teu guarda-roupa não?!
É, amigos são assim como uma parte da família que a gente perdeu no caminho, que encontra alguns anos depois e descobre, quase sem querer, a quantidade de afinidades ou de diferenças que nos complementam. São aqueles que nunca te ligam, não lembram do seu aniversário, mas se sabem que você está mal por qualquer problema que seja, vão correndo do seu lado para lhe lembrar o quão inútil é se deixar abater por todos os problemas. E você tem vontade de esganá-lo por sua insensibilidade. Para algumas horas depois descobrir que ele estava coberto de razão.
Não falo aqui, daqueles amigos que são praticamente um ombro-honorário na nossa vida (e que mais parecem sua mãe com seus conselhos cheios de boas intenções), mas sim daqueles amigos que você não faz nem idéia por que se importam com você, ou por que você se importa com eles, ou mesmo os motivos que o movem a querer sempre o seu bem, mesmo quando dizem "tomara que você quebre a cara, para aprender, garoto!". São os amigos humanos em todos os sentidos da palavra, que são capazes de chutar quem fala mal de você, amam os seus defeitos, te fazem as piores e as melhores coisas no mundo, e que você não imagina vivendo sem. Amam a sua família, só pelo fato de te ter botado no mundo, adoram qualquer pessoa que te faça feliz. Odeia seus gostos, mas participa deles, assim como te ensina a gostar do que eles gostam. Não poupa sermões pelos seus erros e elogios pelos seus acertos. Não acerta nunca seu presente, sabe disso, mas continua tentando. Participa dos seus sorrisos e das suas lágrimas, mesmo que signifique rir da sua cara enquanto você chora, te lembrando sempre da dualidade de todas as coisas. Um pentelho em potencial nos dias tensos. Um ser humano admirável, por sua entrega sem interresses.
Amigo é aquele ser diferente por que, pode não estar do seu lado na hora mais difícil, pode não saber como resolver seus problemas: Mas fariam tudo isso, se pudesse. Sem nem pensar duas vezes. E de todo o coração.

domingo, janeiro 06, 2008

Porcagens


Os porcos comerão
Primeiro tua mão
Você verá
E sentirá falta dela
Ou não?
A dor não te permite pensar, será?
Te assusta o sangue escorrendo
Tingindo suas pernas
Faça a pergunta certa, ou te arranco elas
Vai morrer aos poucos para sentir falta da vida
Teus olhos queimarão no ferro em brasa
Quero que não possa ver
E sinta mais
Se eu te massacrar de fuzil no peito
Que graça teria não te ver chorar
Morrerá ouvindo o som que os porcos fazem
Ao te mastigar

terça-feira, outubro 16, 2007

PUNGENTE


Da perda da inocência

"Essa luz que me cega, Meu Deus
Essa luz, que me guia
Me desvia do reto, por Deus
E vicia
Essa luz que se apagar, Senhor
Que me seque
Sem a luz que me mata, Deus
Desvio o olhar"

http://www1.fotolog.com/lee_magrock/21539028

segunda-feira, setembro 10, 2007

ABATE

quem sente o corte na carne
relaxe
quem treme à vibração da faca
respire
espere ingênuo e passivo
o abate

se vir chegando a foice
aguarde
se pressentir a presença da faca
estatize
fique à espreita do medo encarando esse embate
enquanto inflexível aguarda
o abate

a inspiração de correr que te nasce
crivada de reflexos instintivos
esconda, ignore, esqueça ou disfarce
aguarde, frio se possível
o abate