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quinta-feira, julho 10, 2008

Inconformes - Confissão II

Queria que o acaso explodisse tudo. Sim, o acaso. Aquele enigmático e traiçoeiro que (dizem) permear as grandes forças que movem o universo. Opinião minha: pura balela.
Mas se o acaso, por um acaso, existe, queria que ele explodisse tudo. E levasse com ele todas as metáforas criadas para lhe caber.

sexta-feira, julho 04, 2008

Inconformes - Confissão I

Preciso odiar o que é ameno. Esses seus olhos que tudo aceitam, nada condenam. A conformidade me faz mal ao fígado - acordo tarde, mijo fora da privada, mas quem limpa sou eu!
Sabe aquela coisa de aceitar o próximo? Eu detesto próximos! Detesto que fiquem perto, que afetem minhas narinas com seu cheiro comprado.
Pois eu preciso odiar o que é simplório. Use meu vaso se quiser me acompanhar.

segunda-feira, maio 19, 2008

Infalíveis

Sucção - Parte III


Ocorreu um incidente alguns anos atrás, que nos levou a instituir regras em nossa singela sociedade. Pedro, nosso mais caro amigo, assassinou friamente uma bonita garota, em sua cidade natal (a dele, pois a garota vinha do interior do Paraná).
Equivocado em suas convicções, ele nos contou sua suposta façanha como algo memorável. Não obstante sua pretensão foi expurgada, seu ato apagado de nossas histórias, sua posição revogada.
Quando, revoltado (uma característica sua que nos levou a execrá-lo de imediato), exigiu explicações, sucintamente Jeremias respondeu: deixamos aos falíveis sua autoflagelação constante, suas emoções exacerbadas, a animália em suas ações.

sexta-feira, maio 09, 2008

Infalíveis

Sucção – Parte II


Mateus, o mais espirituoso de nós todos, era dono de uma peça rara: Um eurrítmico, porém pouco usado, cadafalso. O tinha no centro de uma sala espaçosa em sua mansão.

Quis por muitos anos usá-lo, em apreciação às vidas que o objeto tirara no passado. Engenhoso, colocou seu cadafalso à disposição de qualquer um que quisesse uma morte conceitual e peremptória.

Uma tempestade de mensagens on-line quase o pôs em prantos de tanto rir. Filtrou os candidatos por características que o agradavam – péssima constituição física, falta de amor na vida (a sua preferida!), rejeição.

Depois de várias trocas de e-mail, Elaine, 130kg, 29 anos, nenhum casamento, nenhum namorado, expulsa de casa pelos pais aos 16 anos, apareceu, arredia, na mansão de Mateus. Conversaram banalidades, beberam - ele impassível, ela relaxando – sem se aterrem demais ao que os trazia ali.

Duas horas depois Elaine se debatia pendurada pelo pescoço, gemendo seu adeus à existência física.

Mateus subiu o cadafalso, tomou a boca arroxeada do cadáver entre seus lábios, e declarou seu amor incorruptível àquela imagem.

sábado, abril 26, 2008

Infalíveis

Sucção – Parte I


Um trem descarrilou no México e os urubus tomaram seus postos sob. A rebordosa trouxe em instantes, os urubus-brejeiros, aqueles que habitam salas refrigeradas e usam de câmeras e microfones, ao invés de bicos.
Ananias pegou o primeiro avião para lá. Chegou a tempo de se deleitar com o panorama da catástrofe; com a sorte que lhe é inerente, encontrou mãe, filhos e outros parentes aguardando a retirada dos corpos. Uma garota desmaiou em seus braços ao ver o pai carregado pelos robustos bombeiros. Ele a acariciou, feliz, e lhe deixou seu casaco – em agradecimento à sublime finalização daquele dia.

domingo, abril 13, 2008

Infalíveis

Psicopatia Alienígena – Parte IV


A obviedade nos torna parte da falência humana. Nutrir-se do que se desgasta é escolher padecer antes do tempo.
Devoramos o que sobra, sugamos o que o mundo nos oferece às pampas: a exasperação, o ódio, a crueza da realidade.
Assim nos tornamos infalíveis.

sábado, abril 12, 2008

Infalíveis

Psicopatia Alienígena – Parte III


Pareço pouco sensível à vida alheia?
É um engano costumeiro. Basta que o bizarro nos atraia, e nos tornamos... Incognoscíveis, posso dizer?
A compleição de nossa existência não está no óbvio. Pois ele cansa e degenera. Atrasa até nossa digestão.

sexta-feira, abril 11, 2008

Infalíveis

Psicopatia Alienígena – Parte II


Gosto de perceber os seres sob pressão. Estagnados por forças que desconhecem. Inequivocamente desesperados.
Não controlam suas ações. Não percebem suas reações. Jogam-se apatetados, aquecidos pela aflição, ao vórtice da irracionalidade.
Minha percepção se aguça e vou estourar pipocas.

sábado, abril 05, 2008

Infalíveis

Psicopatia Alienígena – Parte I


Como ossos.
Os gosto frios, exangues, descarnados. Ainda com gritos ecoando nas cavernas do tempo. Que é uma refeição sem a luta pela sobrevivência? Desejar aquilo que cresce para me alimentar não tem o mesmo gosto (tomates sem dor, ainda que aprecie despejá-los nos outros). Desejar o que me mataria para não ser minha comida, sim... Isso parece humano. O poder de quem pode.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Descascando

Descaso é quando você olha janela afora
O mundo lá fora quente
(Ardente, numa crescente de catástrofes e idéias)
Mas sem imagens daquelas que tanto lhe agradam os olhos
- Os óleos aromáticos empesteiam o banheiro
O cheiro de espera
Sou eu, não é ela
Que seu olhar caça no ar esfumaçado da cidade
O momento da verdade nunca chega
Dor que se pinta de tinta negra
Para se ver descascar
Se algum dia descasca
Os prédios vão descolorindo com o tempo
Tempo de quem olha lá fora
E o descaso tira-me a roupa e me deita no escuro
Mudo, toma seu banho e pensa nela
Seus sonhos são dela, na minha realidade

terça-feira, outubro 16, 2007

PUNGENTE


Da perda da inocência

"Essa luz que me cega, Meu Deus
Essa luz, que me guia
Me desvia do reto, por Deus
E vicia
Essa luz que se apagar, Senhor
Que me seque
Sem a luz que me mata, Deus
Desvio o olhar"

http://www1.fotolog.com/lee_magrock/21539028