domingo, dezembro 14, 2008

Poesia brega da partida

É cedo
Talvez porque nunca é tarde para encontrar a linha certa
Talvez porque a linha certa seja parte de uma ilusão falida
Talvez porque a vida é transeunte apressado
Enquanto ficamos avaliando certo e errado
Ela passa despercebida
O sinal abre
Não adianta correr
Mas ainda é cedo para partir
Seguir pode ser quebrar as pernas
Parar pode ser enforca-se às pressas
Apressar talvez seja partir
Partir talvez seja atravessar
Não deixar a vida escapar
Correr em seu encalço
Pode ser que partir seja certo
Pode ser que ser o certo dê errado
Pode ser tarde para dizer
Que aceitar partir me dá medo
Só sei que é cedo
Ainda é tempo

Riso solto

Jogou a cabeça para trás, tentando desprendê-la do corpo – a gargalhada galopante e solta reverberando por todo o recheio da casa – querendo alcançar as costas, golpeá-la a seco, até... Quem sabe o maxilar se solta, o riso se abra para uma imensidão de morte?

Melhor que não exprimir seu furor apreciativo. Uma piada por mais bem contada não podia deixá-la aos prantos – cólicas na barriga e falta de ar – mas um pão se despedaçando - que humor, deuses! – que a fizesse cair da cadeira... (Pode haver mais que o chão para amortecer a queda).

Mas o riso se espalha rápido, as paredes e móveis se controlam, e os homens quedam-se ao riso - ninguém realmente entendeu a graça.